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Investigação-ação

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Nota introdutória:

Esta publicação consiste num recorte de um trabalho desenvolvido para a Unidade Curricular de Intervenção Comunitária da Licenciatura em Ciências da Educação.

     A investigação-ação, inspirada por John Dewey, surge nos anos vinte e trinta como um ideal democrático e crítico do papel da escola moderna. No entanto, esta primeira geração de investigação-ação foi um fracasso relativamente ao método, todavia foi considerada um êxito devido ao seu objetivo, pois serviu um projeto verdadeiramente democrático (Guerra, 2002). Embora se relacione Dewey como o responsável pelo surgimento da investigação-ação, é a Kurt Lewinv que a generalidade dos autores atribui a paternidade desta metodologia.

     Neste contexto, a investigação-ação assume-se como modificadora de comportamentos, atitudes e hábitos dos sujeitos ou das populações, melhorando as relações sociais e ainda alterando as normas institucionais de uma organização. Deste modo, este tipo de metodologia pretende garantir uma melhor integração ou adaptação dos sujeitos ao seu ambiente e uma maior coesão, perspicuidade e eficiência às instituições na realização dos seus objetivos (Frank, 1987, referido por Guerra, 2002).

     Contudo, definir investigação-ação não é de todo tarefa fácil, uma vez que a união destes termos gerou ambiguidade, fluidez e, sobretudo, discussão. Porém, Monteiro (1988), citado por Guerra (2002), define a investigação-ação como “(...) um processo no qual os investigadores e os actores conjuntamente investigam sistematicamente um dado e põem questões com vista a solucionar um problema imediato vivido pelos actores e a enriquecer o saber cognitivo, o saber-fazer e o saber-ser (...)” num quadro ético reciprocamente aceite (p. 53). Monteiro (ibidem), refere ainda que o investigador, na investigação-ação, não realiza a rutura epistemológica através da sua não-implicação ou afastamento no terreno. Ao invés, o investigador através da sua intervenção ativa provoca uma rutura desde o primeiro momento da constituição do grupo. Desta forma, quer para o investigador como para os restantes partícipes na investigação-ação, “o conhecimento, e portanto a ruptura necessária à sua produção, elabora-se no confronto entre as diferentes lógicas de acção presente” (Monteiro, 1988, citado por Guerra, 2002, p. 53).

     Tendo em conta o que foi supracitado, podemos constatar que a investigação-ação não consiste numa técnica de recolha da informação, nem numa nova aproximação da investigação, mas sim numa modalidade que faz o ator investigador e vice-versa, guiando a ação para considerações de investigação. Neste sentido, o ponto de partida desta metodologia alicerça a sua dinâmica sobre a ação, considerando os atores não como simples objetos passivos de investigação, mas como indivíduos participantes (Guerra, 2002).

     Todavia, Guerra (2002) destaca três “pólos” e cinco características sobre este tipo de metodologia que a distingue dos processos tradicionais de investigação. A investigação-ação movimenta três "pólos": o da ação (que tem como finalidade alcançar uma transformação social num contexto concreto); o da investigação (que se centra na busca das intencionalidades dos atores e nas dinâmicas atuais); e o da formação (intrínseco ao processo de conhecimento e ação, mobiliza as competências cognitivas e relacionais dos atores em função dos objetivos específicos). Relativamente às características, a autora destaca as seguintes: (1) a investigação-ação influência todo o percurso da investigação, pelo que constitui um processo contínuo e não pontual; (2) implica que o “objeto” do conhecimento integre-se como “sujeitos” do conhecimento; (3) o seu ponto de partida centra-se num problema, numa situação, numa prática real e concreta e não numa teoria ou num quadro de hipóteses; (4) o seu objetivo é a resolução de problemas que visam transformações sociais, ao invés dos resultados decorrentes da investigação; (5) o investigador não é um simples observador, mas sim um apoiante dos indivíduos implicados na ação.

     Esta metodologia pode ainda ser compreendida como um processo de estudo, ação, observação e reflexão que não se limita apenas a investigar, mas também a agir e que carece da introdução da avaliação por parte do investigador na sua ação.

     Assim, a avaliação, segundo Guerra (2002), consiste num “processo pelo qual se delimita, se obtém e se fornece informações úteis, permitindo ajuizar sobre as decisões futuras e é um aviso sobre a eficácia de uma intervenção ou de um plano que está a ser implementado” (p. 186), permitindo ainda julgar os méritos de um projeto, recolher dados sobre os seus fins, expectativas, resultados (previstos ou imprevistos), impactos e custos (Kosecoff & Fink, 1982, mencionado por Guerra, 2002).

 

Referências

Guerra, I. C. (2002). Fundamentos e processos de uma sociologia de acção. Estoril: Princípia Editora.

 

Esta publicação deve ser referenciada assim: 

Pereira, F., & Soares, M. B. (2017). Que idade teria se não soubesse quantos anos tem? (Projeto de Intervenção Comunitária, Universidade da Madeira). Disponível em (não tenho autorização da Universidade da Madeira/da outra autora do projeto para disponibilizar o trabalho na íntegra).

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