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Enfoque quantitativo e qualitativo

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     Os paradigmas de investigação podem ser entendidos como o sistema de pressupostos e valores que norteiam a pesquisa e orientam o investigador para obtenção de “respostas” face ao “problema/questão” que se propôs investigar. Conforme Coutinho (2011, p. 22, citando Crotty, 1998) “os paradigmas são o referencial filosófico que informa a metodologia do investigador”.

     Os termos “metodologia”, “métodos” e “técnicas” são utilizados muitas vezes por alguns autores como de se sinónimos se tratassem. No entanto, alguns autores (Kaplan, 1998; Deshaies, 1992; Bisquerra, 1989, apud Coutinho, 2011) consideram haver entre os conceitos supracitados algumas diferenças que merecem ser evidenciadas.

     Segundo Bisquerra (1989, mencionado por Coutinho, 2011), os métodos de investigação podem ser definidos como “o caminho para chegar ao conhecimento científico, (sendo) o conjunto de procedimentos que servem de instrumentos para alcançar a investigação” (p. 22). Relativamente às técnicas, o mesmo autor refere que são procedimentos de atuação precisos e particulares, meios que auxiliam o método, uma vez que dentro de um método podemos utilizar várias técnicas: “a relação entre método e técnica é semelhante à que existe entre género e espécie em biologia” (p. 22). No que à metodologia diz respeito, esta ocupa-se por “(...) velar pelos métodos, assinalar os seus limites e acalce, clarificar e valorizar os seus princípios, procedimentos e estratégias mais adequadas para a investigação” (p. 22).

     Assim, fica claro que a “metodologia” possui um sentido mais amplo que o “método”, dado que questiona o que está “oculto”, os fundamentos dos métodos, as filosofias que lhe estão implícitas e que intervêm nas escolhas que o investigador faz (Coutinho, 2011).

     Existem diferentes formas para investigador a realidade social. Se atentarmos na literatura, a maioria dos autores reconhece que a pesquisa científica pode ser abordada a partir de dois paradigmas ou alternativas metodológicas: a quantitativa e a qualitativa (Álvarez, 2011; Coutinho, 2011).

     

Meotodologia quantitativa 

     Inspirada na filosofia positivista, durante décadas, consistiu na perspetiva dominante na investigação em Ciências Sociais e Humanas (Coutinho, 2011).

     A investigação quantitativa, também denominada de experimental, empírica ou estatística, é uma investigação basicamente confirmatória, inferencial e hipotético-dedutiva. O investigador situa-se fora da investigação, sendo um elemento externo ao objeto que investiga (Lukas & Santiago, 2004).

     Os problemas de investigação que surgem dos métodos quantitativos decorrem dos axiomas ou teorias que já existem por iniciativa do investigador, sendo o estudo da bibliografia científica uma das fontes mais comuns. São considerados como problemas fechados no sentido de que eles serão totalmente determinados antes da coleta de dados (ibidem).

     O planeamento da investigação, como do problema, é definido antes da recolha de dados. É, portanto, um planeamento fechado e totalmente estruturado e feito de fora pela pessoa que realizará a investigação. É na fase de planeamento que a validade da investigação deverá ficar garantida, validade que se baseia, essencialmente, no controlo das variáveis secundárias e possíveis erros (Lukas & Santiago, 2004).

     Os dados coletados são dados designados por objetivos e são analisados ​​estatisticamente. Muitas vezes, os sujeitos participantes também são escolhidos de acordo com critérios estatísticos, uma vez que se pretende generalizar os resultados obtidos para populações mais amplas dos participantes da investigação (ibidem).

     Coutinho (2011, apud Bisquerra, 1989; Wiersma, 1995; Creswell, 1994) sintetiza algumas das características gerais desta perspetiva:

  1. Ênfase em factos, comparações, relações, causas, produtos e resultados do estudo;

  2. A investigação é baseada na teoria, consistindo muitas das vezes em testar, verificar, comprovar teorias e hipóteses;

  3. A investigação é baseada na teoria, consistindo muitas das vezes em testar, verificar, comprovar teorias e hipóteses;

  4. Plano de investigação estruturado e estático (conceitos, variáveis e hipóteses não se alteram ao longo da investigação);

  5. Estudos sobre grandes amostras de sujeitos, através de técnicas de amostragem probabilística;

  6. Aplicação de testes válidos, estandardizados e medidas de observação objectiva do comportamento;

  7. O investigador externo ao estudo, preocupado com questões de objectividade;

  8. Utilização de técnicas estatísticas na análise de dados;

  9. O objectivo do estudo é desenvolver generalizações que contribuam para aumentar o conhecimento e permitam prever, explicar e controlar fenómenos (p. 25).

     

Metodologia qualitativa

     A investigação qualitativa emergiu das críticas feitas ao “mecanismo” e “reducionismo” da visão positivista (Coutinho, 2011).

     Definir a investigação qualitativa não é uma tarefa fácil. Contudo, alguns autores definem-na como aquela “(...) que descreve os fenómenos por palavras em vez de números ou medidas” (Wiersma, 1996, citado por Coutinho, 2011, p. 26) enquanto que outros consideram que uma investigação é qualitativa quando “não é quantitativa” (ibidem).

     Este tipo de investigação centra-se num modelo fenomenológico, “onde a realidade é enraizada nas percepções dos sujeitos; o objectivo é compreender e encontrar significados através de narrativas verbais e de observação (...)” (Bento, 2012, p. 1).  

     Este tipo investigação privilegia a qualidade ao invés da quantidade. São investigações de carácter exploratório, indutivo, descritivo, próximo aos dados e não generalizáveis. O investigador introduz-se dentro das situações que pretende investigar, consistindo assim, num participante ativo (Lukas & Santiago, 2004).

     Os problemas de investigação são abertos, dado que eles podem alterar-se consoante a investigação vai progredindo, e surgem, na maioria das vezes, das necessidades que ocorrem nos próprios grupos sociais (ibidem).

     O planeamento é flexível e emergente. Flexível, pois assim como o problema, pode ir variando ao longo do processo de investigação e emergente na medida em que vai se reajustando à medida em que é colocado em prática (Lukas & Santiago, 2004).

     Conforme Lukas & Santiago (2004), os dados recolhidos baseiam-se essencialmente em observações e entrevistas mais ou menos abertas, permitindo recolher informação mais textual do que numérica. O investigador é o próprio instrumento. A análise dos dados realiza-se através de processos indutivos por meio de uma análise profunda dos significados desses dados (cf. "Saber mais" no final desta publicação).

     Segundo Bento (2012, referindo Bodgan & Biklen, 1994) este tipo de investigação possui diversas características, pelo que irei destacar as seguintes:

  1. Ocorre em ambientes naturais: geralmente o investigador vai ao local dos participantes para coletar os dados com maior detalhe;

  2. Utiliza vários métodos (interativos e humanistas) de recolha de dados: o investigador participa ativamente no estudo e possui uma sensibilidade para com os participantes da investigação;

  3. As questões de investigação podem ser redefinidas ao longo do processo;

  4. É interpretativa e descritiva: o investigador interpreta os dados, descreve os participantes e os locais, analisando-os para configurar temas ou categorias e retirar conclusões;

  5. É indutiva: não há uma preocupação em arranjar dados ou evidências para provar ou rejeitar hipóteses;

  6. O investigador qualitativo encara os fenómenos sociais de forma holística;

  7. O investigador qualitativo reflete sobre o seu papel na investigação: o “eu” pessoal é indissociável do “eu” investigador;

  8. O investigador qualitativo utiliza concomitantemente a recolhe da dados, a análise e o processo de escrita;

  9. O investigador qualitativo é o principal instrumento de recolha de dados; e

  10. O investigador qualitativo preocupa-se mais com ao processo do que com os resultados.

     

Metodologia quantitativa ou qualitativa? Qual utilizar?

     Na ótica de Bell (2004, citado por Bento, 2012, p. 2) os “investigadores quantitativos recolhem os factos e estudam a relação entre eles”. Já os investigadores qualitativos “estão mais interessados em compreender as percepções individuais do mundo. Procuram compreensão, em vez de análise estatística (...). Contudo, há momentos em que os investigadores qualitativos recorrem a técnicas quantitativas, e vice-versa”, isto é, técnicas mistas (quantitativas e qualitativas).

     Posto isto, fica claro que ambas as metodologias assumem o mesmo grau de importância. A utilização delas irá variar consoante aquilo que queremos estudar e a que perguntas queremos responder.

     Quer a abordagem quantitativa como a qualitativa podem ser utilizadas em simultâneo. Bento (2012) refere que “os dados qualitativos podem também ser usados para suplementar, validar, explicar, iluminar ou reinterpretar os dados quantitativos obtidos dos mesmos sujeitos” (p. 3). O mesmo autor acrescenta ainda que ambas as abordagens devem ser encaradas como técnicas que irão servir de complemento, onde cada uma, à sua maneira, vai dando as suas próprias visões sobre o problema que se pretende analisar.

 

Referências

Bento, A. (2012). Investigação quantitativa e qualitativa: Dicotomia ou complementaridade?. Revista JA (Associação Académica da Universidade da Madeira), vol. 64, nº7, pp. 1-3. Disponível em http://www3.uma.pt/bento/Repositorio/Investigacaoqualequan.pdf.

Coutinho, C. (2011). Metodologia de investigação em Ciências Sociais e Humanas: Teoria e prática. Lisboa: Edições Almedina.

Lukas, J. F., & Santiago, K. (2004). Evaluación educativa. Madrid: Alianza Editorial.

 

Saber mais

Naiff, D. (s.d.). Abordagem qualitativa. [SlidePlayer]. Disponível em http://slideplayer.com.br/slide/361028/.

 

Esta publicação deve ser referenciada assim:

Pereira, F. (2017, dezembro 06). Enfoque quantitativo e qualitativo. [Post em blog]. Disponível em https://fabriciopereiraieul.wixsite.com/omeuapa/single-post/2017/12/06/Enfoque-quantitativo-e-qualitativo.

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